SofiaFala

Auxilia no desenvolvimento de brasileiros com Down

Software auxilia no desenvolvimento de brasileiros com Down

 

Interativo e gratuito, o aplicativo SofiaFala permite o treino da fala de pessoas com síndrome de Down. O sistema foi desenvolvido pelo Departamento de Computação e Matemática, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e já está disponível em dispositivos com Android. Seu método de aprendizagem permite a dinâmica entre os pacientes, os pais e os profissionais fonoaudiólogos.

Os sons produzidos durante o exercício fonoaudiólogo são analisados pelo aplicativo. As respostas do sistema inteligente são duas: uma direcionada para o paciente e o responsável pelo treino de natureza lúdico-educacional; outra direcionada para o especialista, com dados e estatísticas que permitem estudar o quadro da criança. O objetivo e inovação do sistema é uma melhora na qualidade de vida do usuário que possua dificuldades na fala.

A vantagem do sistema do SofiaFala tem relação com a sua fácil utilização que pode ser supervisionada ou não. O aplicativo já está em teste por usuários da ONG RibDown-RP, que faz parte do Centro integrado de Reabilitação do Hospital Estadual de Ribeirão Preto e por clínicas particulares, segundo a professora da FFCLRP, Alessandra Alaniz Macedo.

 

Para crianças brasileiras

 

O projeto surgiu do interesse da cientista da computação Marinalva Dias Soares em auxiliar, em sua própria casa, o tratamento fonoaudiólogo de sua filha Sofia, com síndrome de Down. Assim, com o apoio da professora Alessandra, procuraram desenvolver um método compatível com a realidade brasileira. Com respaldo do CNPq, desenvolveram o software SofiaFala, em 2016.

Com o objetivo de que pais estimulem seus filhos através do tratamento e de criar versões aperfeiçoadas no futuro, a equipe envolveu especialistas da área da fonoaudiologia e computação, além dos usuários finais (cuidadores e crianças com SD). O trabalho é coordenado por Alessandra, além da colega Patrícia Pupin Mandrá, professora do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e coordenadora do CIR-HEA, e assessorado pela fonoaudióloga Myrian Christina Neves Botelho de Andrade, além de outros especialistas e bolsistas que pesquisam, desenvolvem e distribuem.

A Síndrome de Down, alteração genética no par do cromossomo 21, compromete o desenvolvimento cerebral e fala de quase todos os afetados. Entretanto, estímulos e tratamentos que envolvam diversos profissionais podem promover o desenvolvimento da comunicação e uma consequente melhora de vida. No Brasil existem em média 300 mil pessoas com SD que nascem na proporção de um a cada 700 bebês (4 mil por ano).

Mesmo que existentes, as tecnologias assistivas mais utilizadas, geralmente disponíveis em inglês, não estão adequadas à realidade brasileira e possuem alto custo. Assim, o grupo que pesquisa que desenvolve o software de SofiaFala, quer preencher esse lugar de auxílio de forma fácil e inteligente. Gratuitamente, é possível oferecer treinos fonoaudiólogos para crianças e cuidadores, além de informações para o especialistas, que acompanham e prescrevem as atividades.