Processos de aprendizagem na pandemia:

como adaptá-los adequadamente?

A fim de considerar as necessidades específicas de cada aluno e, assim, eliminar as possíveis barreiras para que seu processo participativo e de aprendizagem seja completo e adequado, os atendimentos personalizados atuam na identificação, organização e criação de recursos pedagógicos de acessibilidade.

Indissociável do currículo escolar, a ação das e dos docentes deve ser elaborada e organizada com o propósito de corresponder às diversidades presentes em cada aluno, de cada sala de aula. Considerando as três etapas de processamento de informações – a entrada (ou input) da informação, a elaboração da informação e, por fim, a saída (ou output) da informação –, a importância da dupla função professor-mediador torna-se essencial para a promoção das experiências de aprendizagem. É nesta interação, mediando indivíduos e ambiente, que o professor facilita a assimilação do que está sendo proposto em sala.

Esta relação reflete diretamente no processo de desenvolvimento dos alunos. Para além de pensar estratégias de inclusão, cabe à escola fornecer recursos e possibilitar adequação de currículos, seleção de atividades e formulação de métodos distintos de avaliação que correspondam aos diferentes perfis de aluno. Estas adaptações devem ser cautelosas para não acentuar as dificuldades existentes e, ao contrário do que se propõem, gerar desconforto e acanhamento.

A variedade e diversidade de atividades caracterizam um método pedagógico que possibilita que a realidade de associação e reprodução de cada aluno possa ser reconhecido. Nesta lógica, ao trabalhar um mesmo conteúdo curricular, os professores consideram as especificidades de cada aluno para orientar a elaboração de atividades diversas. É necessário compreender, no entanto, que esta proposta confronta a padronização do ensino e, portanto esse é um importante desafio a ser encarado. E este desafio certamente só é possível com uma efetiva colaboração entre corpo discente e corpo docente.

Compreendendo a necessidade de responder às demandas específicas dos alunos neste período de pandemia, isto é, sem a possibilidade de interações presenciais, o setor de Orientação Educacional propõe encontros semanais com professores e direção escolar. Esta alternativa é elaborada de acordo com a legislação que trata de atendimentos individualizados aos alunos e em diálogo com as famílias e especialistas.

Após compreender e identificar as necessidades específicas de aprendizagem que os encontros irão contemplar, elabora-se um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), compartilhado entre escola, família e profissionais especializados como maneira de alinhar o trabalho e garantir sua aplicação com eficácia. O PDI, por sua vez, é estruturado de acordo com as habilidades e competências.

Se há um entendimento de que a flexibilização e adaptação das práticas pedagógicas são essenciais no ensino presencial, no ensino remoto isto não é diferente – especialmente no que tange a diversidade de aprendizagem. Estas estratégias reforçam a importância de um trabalho coletivo que vise beneficiar e facilitar o desenvolvimento dos alunos. Entender as individualidades como potencializadoras das relações pessoais, portanto, é essencial para o acompanhamento dos alunos e possibilitar o planejamento de ações específicas por parte dos professores e da escola.