Pandemia em uma perspectiva positiva:

familiaridade e criação de memórias afetivas

Criar uma boa memória nas crianças sobre o período da pandemia é um desafio possível. A cada dia, os pequenos questionam quando poderão retornar à escola ou por que não podem brincar no parquinho. Essas perguntas somam-se e geram memórias afetivas no futuro.

É importante sempre se atentar às emoções dos filhos, sejam elas manifestadas por palavras, sentimentos ou comportamentos. A sinceridade, o respeito e o senso de humor são fundamentais no reconhecimento das crianças enquanto indivíduos que sentem o mundo enquanto absorvem as interações ao seu redor.

Uma pesquisa realizada em Shaanxi, na China, pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), demonstrou o impacto da pandemia nas ações das crianças e adolescentes. Dentre as 320 participantes, com idade de 3 a 18 anos, 12% apresentou incômodo e inquietação durante o dia, 14% pesadelos, 18% pouca fome, 21% dificuldades para dormir, 29% se mostrou mais apreensivo, 32% baixa concentração e 36% aumentaram a necessidade da família.

Chamam-se de memórias afetivas aquelas associadas às emoções e aos sentimentos. Formam-se a partir de conjuntos de elementos significativos que, tornando-se símbolos, marcam períodos da infância e adolescência de maneira a transpor sentimentos e memórias de outros contextos para o tempo atual.

Não há segredo quando o assunto é criar situações propícias à construção de memórias afetivas. Atividades próximas e cotidianas, como refeições e leituras na cama, são tão importantes para este processo quanto propostas mais ousadas e criativas. A regra aqui é simples: disponibilidade, dedicação e coletividade quando agir com seus pequenos.

Mesmo que não tenhamos consciência, precisamos nos atentar aos nossos sentimentos e reações, pois podemos influenciar nas emoções das crianças. Os pequenos podem a ter facilidade em se autorregular quando possuem por perto adultos tranquilos, que conseguem lidar com as emoções. Da mesma forma, especialmente durante a pandemia e isolamento, as crianças irão reproduzir as reações das pessoas mais próximas.

O contexto singular do Covid-19 também possibilitou boas coisas, como mais interações e proximidade com a família. As relações foram fortalecidas e os pais puderam brincar e conhecer melhor as crianças em casa. Essa situação é benéfica e pode contribuir para o retorno a vida normal.

Considerando este momento como crucial na concepção de laços e experiências, é importante reconhecer quando as rotinas anteriores à pandemia não funcionarem mais. A reinvenção vale para toda a família! Se mães, pais e filhos estão tentando se adaptar a esta nova situação, fazer isto em conjunto pode ser um atalho à melhor convivência. Pensar novas rotinas, novas atividades e novas maneiras de experimentar a casa e a presença uns dos outros é um caminho coletivo que deve ser percorrido em família.