Os Jogos Paraolímpicos crescem e aumentam seu destaque

Para além de demonstrar suas habilidades como atletas e provar seus valores como cidadãos, as paraolimpíadas são, para as pessoas com deficiência, uma chance de desenvolver a autoestima daqueles que diariamente são rebaixados e discriminados por suas condições existenciais.

Os Jogos Paraolímpicos ou as Paraolimpíadas, que em sua primeira edição contou com 400 atletas e 23 delegações, acontece nas mesmas instalações onde ocorrem as Olimpíadas, em Roma, desde o ano de 1960. 

Com início oficial marcado pelo fim da Segunda Guerra Mundial, após a mutilação de vários soldados que voltavam para casa, os esportes foram adaptados às condições de pessoas com deficiências físicas. Com estas adaptações, os Estados Unidos e a Inglaterra criaram as primeiras modalidades competitivas.

O programa final das Paraolimpíadas dos Jogos de Tóquio 2020, que ocorrerá de 25 de agosto a 6 de setembro, foi revelado pelo Comitê Organizador. Além da criação do “domingo dourado”, dia dedicado a 63 eventos e à distribuição de medalhas, destaca-se a informação de que 19 dentre 22 esportes se encerrarão antes das 22h.

Neste evento, podem participar atletas que apresentem deficiências na esfera física ou sensorial, tais como paralisias cerebrais, amputações, deficiências mentais e visuais. As modalidades adaptam-se em tempo de prova, quadras, pistas e estrutura de equipamentos de acordo com a s especificidades de cada deficiência.

De acordo com o grau de deficiência dos atletas, as categorias dividem-se em paraplegia (PP), deficiência visuais (VI), deficiência intelectual (IN), amputados (AM), paralisia cerebral (PC) e les autres (LA), que são as deficiências não contempladas pelas demais categorias.

A fim de garantir que as medalhas sejam conquistadas por experiências, treinamentos e motivações e não por vantagens em determinados níveis das deficiências, os atletas com deficiências físicas são classificados em cada modalidade por um sistema de classificação funcional, visando enquadrar pessoas com diferentes condições em um mesmo perfil funcional para competir.

Modalidades paraolímpicas garantem o direito ao esporte

Praticadas desde 1960, as modalidades dos Jogos Paraolímpicos compreendem a adequação de suas versões olímpicas de acordo com as condições físicas e intelectuais dos atletas participantes. Assim, considerando elementos espaciais, tempos de provas e equipamentos esportivos sobrepostos aos graus de comprometimento de cada deficiência, criam-se adaptações das regras dos jogos a fim de permitir a participação justa de cada jogador e garantindo o direito à prática dos esportes contemplados pelas pessoas com deficiência.

Na natação, existem 10 classes para o medley, 10 classes para o nado de costas, nado livre e golfinho e 9 classes para o peito. Para os atletas com deficiências visuais, entre os quais há somente 3 classes, é realizada uma classificação médica de acordo com suas capacidades visuais. Estas classificações, embora aceitas pelo Comitê Paraolímpico Internacional (IPC), são alvo de muita polêmica, questionando estes sistemas e ocasionando no protesto de muitos atletas durante a competição.

Diferentemente do rugby, da bocha, do halterofilismo e do goalball, que são modalidades criadas especialmente para contemplar as pessoas com deficiência, a maior parte das adaptações de modalidades convencionais são mínimas para atender às condições dos atletas e permitir sua participação. As corridas para deficientes visuais, por exemplo, nas classes T11 e T12 permitem que os atletas sejam acompanhados por guias.

O Comitê Paraolímico Brasileito considera, atualmente, 24 modalidades que compõem a edição de verão:

  1. Atletismo, modalidade em que os atletas podem ser deficientes intelectuais, físicos ou visuais;
  2. Basquete em cadeira de rodas, onde os praticantes possuem restrições físicas ou motoras e a estrutura espacial e tempo de partida são os mesmos dos Jogos Olímpicos;
  3. Bocha, modalidade que permite competições individuais, em duplas ou em equipes, atletas com paralisia cerebral ou deficiências severas participam em cadeiras de rodas com o objetivo de lançar bolas coloridas o mais próximo possível da bola branca (alvo);
  4. Ciclismo, contemplando pessoas com deficiência visual, amputadas, cadeirantes ou com paralisia cerebral;
  5. Esgrima em cadeira de rodas, modalidade onde competem atletas com amputações, paralisia cerebral ou lesões medulares;
  6. Futebol de 5, esporte exclusivamente praticado por deficientes visuais – com exceção do goleiro, que tem a única condição de não ter participado, nos últimos 5 anos, de competições oficiais da FIFA (Federação Internacional de Futebol);
  7. Futebol de 7, modalidade para pessoas com paralisia cerebral, onde o grau de comprometimento físico dos participantes é considerado na classificação;
  8. Golbol ou Goalball, onde os participantes competem vendados, independentemente do grau de deficiência visual e todos os jogadores são defensores e atacantes;
  9. Levantamento de peso, totalizando 10 categorias na modalidade onde os competidores dividem-se entre lesionados medulares (deficiências motoras nos membros inferiores), paralisados medulares e amputados;
  10. Hipismo, que contempla atletas que apresentem desde pequenas dificuldades de locomoção até cadeirantes e amputados;
  11. Judô, onde competem deficientes visuais que se distribuem em categorias conforme a massa corporal;
  12. Natação, modalidade que contabiliza 14 provas masculinas, 14 femininas e um revezamento misto. Os jogadores agrupam-se em 14 classes funcionais, sendo de 1 a 10 nadadores com limitações motoras e físicas, de 11 a 13 pessoas com deficiência visual e, por fim, a 14ª, que compreende os nadadores deficientes intelectuais;
  13. Parabadminton, que será considerada modalidade paraolímpica a partir dos Jogos Paraolímpicos de Tóquio de 2020. Possui regras muito próximas às do badminton e também se baseia em classificações funcionais dos esportistas;
  14. Paracanoagem, disputadas por atletas com limitações físicas nos membros inferiores, superiores ou tronco, apenas em caiaques e por uma distância de 200 metros. No Brasil, incluem-se canoas e as distâncias podem chegar a 500 metros;
  15. Parataekwondo, modalidade que também estreia como modalidade paraolímpica a partir dos Jogos Paraolímpicos de Tóquio de 2020. Divide-se por pesos e em duas classes de disputa: poonse, onde os atletas podem ser deficientes visuais, físicos, intelectuais ou auditivos e pessoas com nanismo; e kiorugui, exclusivo para deficientes físicos;
  16. Remo, contemplando participantes com deficiências no tronco, membros superiores ou inferiores que podem competir individualmente, em duplas ou em um quarteto misto que disputam a prova em distâncias de 1000 metros;
  17. Rugby em cadeira de rodas, com competidores homens e mulheres sem divisão por gênero, sendo estes atletas com tetraplegia ou deficiências físicas semelhantes, cujo objetivo é passar a linha do gol com as duas rodas da cadeira estando em posse da bola;
  18. Tênis de mesa, modalidade que permite a participação de jogadores amputados, com paralisia cerebral e cadeirantes e a classificação em cadeirantes, andantes e andantes com deficiência intelectual. As regras são muito próximas às dos Jogos Olímpicos;
  19. Tênis em cadeira de todas, onde podem jogar pessoas com deficiência locomotora e são autorizados dois quiques na bola antes da rebatida, diferentemente da modalidade olímpica;
  20. Tiro com arco, disputa com regras similares à versão olímpica que divide em classes segundo as limitações em membros inferiores, limitações em membros inferiores que dispensam o uso de cadeira de rodas e pessoas com limitações motoras variadas (pernas, tronco ou braços);
  21. Tiro esportivo, que divide os atletas entre atiradores de carabina e de pistola e que permite diferentes deficiências em membros superiores e inferiores, considerando, na classificação, atletas que precisam ou não de suporte para a arma;
  22. Triatlo, considerada modalidade paraolímpica desde os Jogos Paraolímpicos de 2016 e divide os triatletas de acordo com suas deficiências físicas ou motoras e visuais em provas que reduzem pela metade as distâncias da modalidade olímpica – 750 metros de natação, 20 quilômetros de ciclismo e 5 quilômetros de corrida;
  23. Vela, disputada em três classes que não divide os jogadores por gênero e pode ser realizada em duplas, trios ou individualmente, considerando a classificação funcional que avalia os aspectos motores (mobilidade, estabilidade, função motora e visão) dos jogadores;
  24. Vôlei sentado, onde cada equipe pode ter jogadores com mobilidade debilitada e somente dois jogadores classificados como minimamente debilitados, que não podem estar em jogo ao mesmo tempo. Contempla desde atletas com deficiências em níveis baixos de comprometimento até pessoas com alta debilidade motora ou que apresentem amputações.