Greta Thunberg

autismo e superpoder

Indicada ao prêmio de Nobel da Paz, a adolescente convicta de suas palavras Greta Thunberg atenta para a urgência do alerta sobre as mudanças climáticas em uma fala gritante e autêntica.

Intolerantes às diferenças, haters não demoraram a fazer de Greta um alvo de frequentes golpes baixos em 2019, comparando-a com robôs e supondo que não fosse gente.

A eles, não incomoda somente a fala firme e determinada, mas qualquer indício do autismo de Greta que, ao que se parece, cria a imagem da condição como um trunfo.

Poder

Embora desconfortável diante de luzes e plateias, Greta falou sobre o que significa ser autista em um dos maiores programas de TV dos Estados Unidos. Objetiva como de costume, encantou a audiência cumprindo todo o roteiro dos talk shows.

Afirmando que ser diferente é um presente, Greta disse à apresentadora Ellen DeGeneres que é preciso pensar fora da caixa: “Principalmente em uma crise como esta. As pessoas que funcionam de forma diferente podem ser uma boa fonte para isso”.

Diagnosticada com Síndrome de Asperger, leve grau de autismo, Greta já comparou a condição a um superpoder, desde que se tenha o apoio da família e o devido cuidado de profissionais da saúde.

Desde que ingressou na escola, Greta apresentou dificuldades de interação encaradas como mutismo seletivo. Diagnosticada com depressão aos 11 anos, hoje convive também com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

 

Grande foco

Influenciando milhões de pessoas em todo o mundo, nenhuma das condições de Greta a impediu de organizar um movimento estudantil internacional que pede por medidas concretas para combater as mudanças climáticas. Não à toa, a revista Time a elegeu personalidade do ano em 2019.

O exemplo de Greta inspira comunidades no Brasil e em outros países, amplificando a discussão sobre autismo. Para Tiago Abreu, criador do podcast “Introvertendo”, protagonizado por autistas, ela é um novo rosto para o transtorno do espectro do autismo (TEA).

Abreu ressalta, em um episódio recente, a absoluta concentração em uma atividade ou interesse demonstrada por Greta: o hiperfoco. Característico no TEA, é o que leva alguém a se dedicar a uma atividade ao ponto de obter sucesso e se destacar nela.

Segundo ele, Greta é exemplo de como o hiperfoco atua para que as pessoas dentro do espectro possam se aprofundar em discussões. É essa devoção ao assunto que impede dissociar a vida de Greta da condição climática atual e que faz com que ela permaneça lutando.

Discriminação 

Há uma linha que distingue as críticas às posturas, influências ou argumentos de Greta dos ataques pessoais à sua maneira de se expressar e pensar. Ultrapassando este limite da civilidade, está o preconceito.

Fátima Kwant, mãe de um adulto autista, disse à Revista Autismo, em um artigo publicado na última edição: “Cada vez que um autista fala e a sociedade o desdenha, a mensagem é ‘você não tem voz’, ‘sua história não me interessa’, ‘você não sabe, não pode, não deve’”. Afirmando que Greta desafia o preconceito, Fátima conclui que as gerações mais novas de autistas leves estão, de fato, mudando o mundo.