Educação e empatia:

a inovação como prática colaborativa

A empatia deve estar em primeiro lugar. Segundo Uri Levine, criador do aplicativo Waze e empreendedor israelense, colocar-se no lugar do outro é a chave para compreender como funcionam os problemas do dia a dia. “Se apaixone pelo problema e não pela solução!” Foi assim que desenvolveu sua criação ao analisar as principais dificuldades de mobilidade do mundo. Um grande exemplo de como agregar valor a produtos ou serviços.

Como ser social, a humanidade tem essa característica natural empática. Nosso cérebro desenvolveu-se em uma lógica colaborativa de compreensão de trabalho conjunto, segundo Martin Novak, professor de biologia e matemática na Universidade de Harvard. Ao criar um negócio, deve-se perceber que ele pode efetivar grande mudanças para os usuários. Além de administração e estratégia, é preciso pensar na empatia, de acordo com Tim Brown, idealizador do Design Thinking. A energia deve ser empregada em resolver grandes problemas sociais. Foi assim que pensou Matheus Moraes, CEO da 99. 

É possível produzir e trabalhar em ideias que partam da observação, criando produtos e serviços para melhorar a vida das pessoas. A empatia está no centro de importância das transformações digitais e impacta a inovação de diversas organizações. Na educação, ela é fundamental, pois auxilia os profissionais a atentar-se a aprendizagem do aluno por um ângulo outro, diferente daquele que ensina. Em relação ao aluno, a empatia promove sua colocação no lugar de agir, reforçando seu protagonismo no processo de ensino-aprendizagem.

Nos últimos anos, os avanços tecnológicos e as transformações sociais constroem um período inédito na educação, na qual a inovação tem papel fundamental: a Educação 4.0. A conexão em escala global e os avanços da Inteligência Artificial também influenciam nas inúmeras nas mudanças já perceptíveis na educação, como os métodos híbridos de ensino (presencial e online), o foco em multiletramentos (programação, científico, corporal etc.), gamificação dos conteúdos, currículos mais flexíveis e ensino personalizado.

Essas transformações devem ser abraçadas pela educação, que deve considerar alguns aspectos importantes na construção do conhecimento. O primeiro fator, diz respeito a prioridade de entender os motivos pelo qual algo está sendo necessário em detrimento da acumulação de conhecimento. O segundo, tem relação com o estudo de desempenho e aprendizagem que pode utilizar dados inteligentes para personalizar o processo. Em terceiro, a figura do professor como agente de apoio facilita a colaboração e a construção de um grupo cujo objetivo é o conhecimento, além desenvolver talentos e habilidades. 

É preciso altos investimentos e inovações para que seja possível atingir grandes nações em educação. O papel educacional deve estar atento ao significado transformador de suas práticas, visando uma sociedade mais justa e igualitária, assim como processualmente propõe Paulo Freire. Assim, práticas empáticas e de afeto devem ser utilizadas sem pudores, para que seja possível construir um caminho que permita ensino como aprender a aprender, a apaixonar pelo problema, para além da solução, e que aos poucos, seja possível, também, compreender a dor do outro.